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Féher ... Um Ano Depois


Prym3r
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PLANEAR CASAMENTO E MORRER NO ESTÁDIO

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Há um ano, o húngaro fazia mil e um planos para a sua vida. Mas naquele dia, foi escolhido para subir ao céu. De nada adiantou uma luta de profissionais louvados, pois ninguém pára o destino. Mas ninguém apaga aquele sorriso

O "smoking" e a Toscânia

Uma boa conversa, com gente do melhor, depois de um almoço como tantos outros em estágio. Com Fehér, tudo normal: passeou pelos jardins da Pousada de Santa Marinha, telefonou para o pai... Não havia nada de estranho no seu comportamento, garantem os companheiros. Outros jogadores decidiram assistir pela televisão a um jogo do Calcio, ele instalou-se no "hall" e falou com Nuno, um amigo da cidade do Porto. Juntar-se-iam minutos depois Alex e Andersson. Falaram do filho de Nuno e do seu [Fehér] casamento com Adrienn, marcado para 19 de Junho, junto ao lago Balaton, em Budapeste. Estava preocupado com o tempo que restava para tantas tarefas e tinha agendado uma visita à Exponoivos, pois queria um "smoking". A lua-de-mel, provavelmente, seria passada na Toscânia, em Itália. Não era definitivo esse destino, mas o fascínio que o húngaro exibia nas conversas deixava poucas dúvidas. A conversa não versou muitos mais temas, mas é evidente que falaram do Benfica, até porque a saída por empréstimo era quase certa. O Rennes queria-o. Fehér despediu-se de Nuno, que não voltou a ver, e subiu aos quartos para um período de descanso.

Camacho dá 30 minutos

A caminho do Estádio D. Afonso Henriques conversou com Alex sobre o Vitória de Guimarães. "Porque tinha jogado no FC Porto, mas especialmente no Sp. Braga, dizia ter um enorme respeito pela forma entusiástica como os nossos adeptos [vitorianos] vibram com o clube", recorda Alex, sobre um diálogo no autocarro e sensivelmente à passagem pelo complexo desportivo do Vitória. Já no recinto, no banco de suplentes, e enquanto não chegavam às 19.45 para se iniciar o jogo, abordou o seu futuro com o adjunto Álvaro Magalhães. Mas o mais importante era ganhar. Essa foi a mensagem passada no balneário. Fehér entendeu-a, mas sabia que, se Camacho decidisse como vinha a decidir, poucos minutos jogaria. Engano! O espanhol lançou-o aos 60'. Era uma "grande oportunidade" para mostrar que podia ficar no clube, disseram-lhe Alex e Hélder. Não marcou, mas quase. Na recarga ao seu remate, Fernando Aguiar atirou para o fundo da baliza e o Benfica, nos descontos, somava três pontos.

O sorriso que não voltou

O Vitória tentava o empate e Fehér tem uma intervenção marcante ao impedir intencionalmente Rogério Matias de proceder a um lançamento lateral. O árbitro Olegário Benquerença não perdoa. Chama-o e exibi-lhe um cartão amarelo. O húngaro sorri candidamente. Passa a mão esquerda pelo cabelo, tem a direita no fundo das costas, curva-se e... cai de costas. Assim ficou. Sokota é o primeiro a chegar ao corpo, segue-se Cléber que pensava ver o magiar a "queimar tempo". "Não me apercebi. Quando me cheguei junto a ele, ia até tocar-lhe mas depois... não sei. Vi os seus olhos, não sei..." Cléber recorda-se de tudo, mas acaba educadamente com esta conversa. Mesmo a perder e depois de Fehér lhe ter travado o lançamento, Rogério Matias mostrou "fair play" quando o viu estatelado no relvado. "Toquei a bola para fora, pois pensei que estava lesionado. Quando o observei, bem...", contou no dia seguinte à tragédia.

Júlio entra sem ordem

Júlio viu a queda e entrou em campo sem ordem. Olegário não viu e Neno, delegado do Vitória, ainda o chamou. Júlio era o enfermeiro do Vitória em serviço e passa horas na urgência do Hospital de Fafe. Aquilo era-lhe familiar. "Aquilo que se passou com Fehér é o meu dia-a-dia. Desportivamente, é um facto que há menos casos, mas também os há. Só não são mediáticos", opina. Há um ano, no relvado, demorou segundos para os primeiros socorros, mas percebeu de imediato que só um milagre salvaria o avançado: "Disse para mim, 'está morto'. Perdi a conta a situações semelhantes e em 80 por cento dos casos não há quaisquer hipóteses. Todos os segundos são fundamentais, vitais, mesmo, para conseguir reanimar qualquer pessoa."

Não adianta o desfibrilador

Júlio ajoelhou-se e pediu espaço. O corpo estava endireitado, depois de Sokota o ter virado para evitar um sufoco por possíveis vómitos. Fez massagens e respiração boca a boca. Nada. Tiago estava de rastos e Andersson lembrava em pranto o caso de um jogador que morreu devido à chegada tardia da ambulância. A ambulância estava a ser preparada e tinha de entrar de marcha-atrás para não ficar presa no ensopado relvado. Há desfibriladores, mas a sua utilização não era aconselhável. Não era só Fehér que estava molhado. O dia era de chuva e uma descarga eléctrica seria fatal para quem estivesse à volta. Continuam as manobras de reanimação. Emanuel Salgado, fisioterapeuta do Vitória, também está junto ao corpo. Tal como os médicos Salazar Coimbra e João Paulo Almeida, respectivamente, do Vitória e do Benfica. Júlio pede uma mala que está nos balneários. Zé António, responsável pela segurança no estádio, corre na sua procura. Os nervos são muitos. A mala está no sítio, mas não abre. Zé António perde a cabeça e rebenta-a contra a parede. Júlio queria entubar Fehér – foi por isso que, a dada altura, reagiu com algo que à distância parecia um espasmo, mas tal verificou-se porque lhe foi introduzido um corpo estranho na garganta.

Médico na bancada

Na bancada nascente do Estádio Afonso Henriques, a escassos metros onde se luta por Fehér, um médico do INEM tentava entrar no relvado. "Quando o vi cair, levantei-me imediatamente do meu lugar", confirma. Mário Cunha demorou mais de cinco minutos a entrar no relvado, pois os "stewards" não o deixavam. Para eles, de facto, era um simples adepto e sócio do Vitória. Exibiu o cartão de médico e protestou imenso. Um "steward" não quis ficar com peso na consciência e acabou por permitir a entrada. Mário corre de gabardina e tira a camisola para secar o corpo quando este passou para a maca. Ao estádio estava a chegar a equipa de serviço do INEM. Não foi chamada, mas, porque os seus médicos estavam a assistir ao jogo pela televisão, arrancou a toda a velocidade na sofisticadíssima UMER (Unidade Médica de Emergência Respiratória) quando se aperceberam de que alvo de grave se estava a passar. No relvado o ambiente era de perfeito terror, nas bancadas o público respondia com os cânticos [Miki, Fehér]... que o jogador nunca chegou a escutar.

Ambulância que até voa

Rumo ao Hospital Senhora da Oliveira, a ambulância voa com os clínicos a aplicarem-se nas operações (massagens) que tecnicamente se denominam de Suporte Básico de Vida. Há trânsito e obras, mas em cinco minutos Fehér entra nas urgências. À sua espera tinha cardiologistas, intensistas, enfermeiros, anestesistas... Entrou directamente para a sala de reanimação/ressuscitação, accionando-se, conforme o protocolado, um alarme em todas as unidades. João Paulo Almeida, médico do Benfica, está aterrorizado. Corre soro, há manobras e mais manobras e de nada adianta o trombolítico – medicamento usado nos hospitais e que pode custar 1.000 euros – administrado. Nada pára o destino.

A derrota do óbito

No estádio, o balneário do Benfica consuma um silêncio brutal. O telemóvel de Fehér não pára de tocar. Ninguém o quer na mão. Zahovic acaba por atender uma chamada e a namorada sabe da notícia por Akos Buszáky, húngaro do FC Porto. Luís Filipe Vieira vai a caminho do Hospital de Mercedes. A Av. de Londres, de um só sentido, está em obras e tem duas vias em rodagem. José António, do Vitória, vai a indicar o caminho. O telemóvel do presidente toca, toca, toca... O carro também voa e quase termina a viagem a meio. Esteve iminente um acidente. No hospital, Filipe Vieira toma um sedativo. Fehér está morto. E, se viesse a ser reanimado, as sequelas seriam gravíssimas. Seria um vegetal. Os médicos sabiam-no. Todos sabiam, mas todos se recusavam a aceitar. Fausto Fernandes, director do hospital, está presente. Comunica o óbito e confidencia a Neno que se sentia como se "tivesse perdido por 10-0".

26 de Janeiro

A primeira página de Record é o espelho da tragédia. Fehér está no chão, enquanto Fernando Aguiar, Sokota, Cléber, Tiago e o árbitro Olegário Benquerença são a imagem do pânico e a antecipação da catástrofe. Seguir-se-iam catorze minutos de tensão máxima, com o drama a provocar reacções de desespero nos intervenientes directos no espectáculo. Estava instalada a ansiedade, no relvado, no estádio e em todo o País que assistia ao jogo pela televisão.

No canto superior direito da capa, o registo da entrada de Fehér, aos 60', para o lugar de João Pereira. Ao lado, a frase que resumia o sentimento generalizado: "Estamos de luto." Estávamos todos.

Nas páginas interiores, a história da carreira de Miki e os passos do drama iniciado às 21.30, quando caiu desamparado na relva encharcada do Estádio D. Afonso Henriques.

Para lá das arrepiantes imagens recolhidas pelos repórteres fotográficos do nosso jornal (Luís Vieira e Simão Filho), que retrataram brilhantemente o estado de choque generalizado, Record publicou ainda "frames" tirados da Sport TV, que mostram o último sorriso, a pausa e a queda fatal. O centro de atenções mudou-se então para o hospital, onde a equipa chegou às 22.45, saindo onze minutos depois. Eram 23.10 do dia 25 de Janeiro de 2004 quando Fehér morreu.

27 de Janeiro

"Dor brutal", eis as palavras que acompanhavam a arrepiante imagem da chegada de Fehér ao Estádio da Luz. A urna, transportada por Hélder, Argel, Zahovic, Nuno Gomes e Miguel, ficou em câmara ardente nas instalações de um Estádio da Luz invadido por milhares de pessoas. Ao Benfica chegaram votos de condolências do Presidente da República, do primeiro-ministro, do líder da oposição, do presidente da FIFA e dos presidentes de países irmãos como a Guiné-Bissau e Cabo Verde. A dor é geral e o futebol associa-se em peso. O Sporting faz-se representar com uma delegação ao mais alto nível, com a presença de Dias da Cunha, José Eduardo Bettencourt, Sá Pinto, Rui Jorge e Nélson, entre outros.

28 de Janeiro

Record chegou a Gyor na véspera do funeral, para medir a pulsação da tragédia na terra natal do jogador. Enquanto em Lisboa, Fehér cometia a proeza de unir Governo e Oposição nas últimas exéquias, na Hungria o relato anunciava "Estado de choque" ente os amigos húngaros do malogrado Miki.

Pelo Estádio da Luz passou também uma delegação do FC Porto, chefiada por Reinaldo Teles, da qual faziam parte o treinador José Mourinho e o capitão Jorge Costa. A família de Fehér, os pais, a irmã e a namorada, sentiu de perto o efeito devastador de uma das mais impressionantes manifestações de pesar vistas desde sempre em Portugal. Quase 48 horas depois do falecimento, o corpo do jogador seguiu finalmente para o aeroporto da Portela. De onde partiu com destino a Budapeste às 8.30h da manhã seguinte, acompanhado por 152 pessoas.

29 de Janeiro

Miki Fehér esteve bem acompanhado na viagem até à última morada. Levou todos os companheiros, treinadores, médicos, massagistas e fisioterapeutas; levou também representantes do Estado português, mais um punhado de ilustres benfiquistas das mais diversas áreas da vida nacional. E levou rei Eusébio, um dos mais afectados pela tragédia.

As cerimónias fúnebres, em Gyor, culminaram dias agitados, em que as emoções se descontrolaram. Lothar Matthäus, seleccionador da Hungria, e antigos companheiros no FC Porto, como o também húngaro Lipcsei e o romeno Nica Panduru (que fez 400 quilómetros de carro para se despedir do amigo) fizeram questão de estar presentes para o último adeus a Miki Fehér. Ao fim do dia a comitiva encarnada regressava a casa. Por paradoxal que parecesse, a vida ia continuar.

30 de Janeiro

A imagem do dia foi o regresso da equipa ao trabalho, marcado pela união entre os jogadores e, num âmbito mais alargado, entre os adeptos e a equipa. Em Massamá, o grupo encarnado sentiu, talvez pela primeira vez desde a tragédia, que as emoções mais fortes pertenciam ao passado. E que a época não acabava ali. Face aos acontecimentos, o jogo com a Académica, inicialmente marcado para o fim da tarde de domingo, 1 de Fevereiro, foi adiado para dia 3. Os dias que se seguiram foram mais de recuperação psicológica do que propriamente de intensa preparação técnica e física.

Na edição de 31 de Janeiro, Record anunciava alguns pormenores relativos à homenagem que o Benfica preparava a Miki Fehér: um filme nos écrans do estádio com quatro minutos e 65 mil folhas A3 a distribuir pelos adeptos.

4 de Fevereiro

No primeiro jogo depois da morte, a Luz registou grande assistência para receber a Académica e recordar o avançado húngaro (mais de 56 mil espectadores). Em clima emocionalmente alterado, os adeptos vestiram-se de negro e os jogadores tiveram forças para, com dois sorrisos, olharem para o céu e dedicarem a vitória ao amigo desaparecido.

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Prim3r,

Vou-te pedir um favor, retira as fotos dele caído no chão bem como todas as imagens q estejam ligadas ao enterro do mesmo, vamos guardar na memoria o espírito do jogador e do homem e não os momentos tristes q infeizmente tivemos q assistir.

B)

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Prim3r,

Vou-te pedir um favor, retira as fotos dele caído no chão bem como todas as imagens q estejam ligadas ao enterro do mesmo, vamos guardar na memoria o espírito do jogador e do homem e não os momentos tristes q infeizmente tivemos q assistir.

B)

done :y:

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O tempo anda a correr mm mto depressa, parece k passou meses e já passou um ano...

Mas por acaso a Queima tb parece k foi há um mês e já tá kuase a voltar de novo, ihihih

Quanto ao Feher, eu n vou falar mais, vou deixar a alma dele em paz, kem cuida dele agora são os familiares lembramdo-se dele todos dias, neste momento eu tb tenho as minhas pessoas pra me lembras e atenção para dar a outars que me são especiais.

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A reportagem que passou agora na TVI sobre o assunto, fez-me novamente "reviver" todo aquela noite, e o dia seguinte passado no estádio da luz com colegas meus...

Nunca pensei que me podia cair uma lágrima, provocada por um jogador de um clube que não seja o meu (pois nunca tinha colocado esta hipotese em questão...)

Esta questão só dá para pensar, o quanto fraco o homem é perante as adversidades do dia-a-dia.

Mais uma vez, Descansa em Paz Feher!

Edited by Fox
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Durante este ano, houve milhões de mortes o mundo todos, ninguem pode chorar por eles todos, choramos na altuta em k tal aconteceu porke o vimos, a partir dai kem chora por eles sãos as pessoas k mais lhe chegadas são e os familiares.

Conheço pessoas que nem se lembram do dias em k um ente querido faleceu, nem sequer se recordam dele em tal dia, e isso sim tá mal.

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Isto ainda mexe? Tipo, pronto, morreu...foi chocante...passou um ano? Pronto...ou daqui a 40 anos vamos andar a dizer que passaram 40 anos desde a sua morte? OMG...

EDITADO:

deleted.....

Edited by Prim3r
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LOL , nepes....apenas disse algo ke so serveria para arrajnar confusao por isso é k apagei :D

mas se keres saber disse :

Será ke se fosse um jogador do Porto terias a mema opiniao?

forget it ;)

O Pavão por exemplo, ninguem aqui cria uma pagina sempre k passa a data do da sua morte.

Daqui a pouco tamos a abrir topicos e pagians de jornais por casa pessoa que morre no mundo, é uam coisa k nos está destinada a todos, deixem o rapaz em paz.

A familia dele trata dele, eu trato dos meus e espero um dia ser tratados pelos meus.

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Daqui a pouco tamos a abrir topicos e pagians de jornais por casa pessoa que morre no mundo, é uam coisa k nos está destinada a todos, deixem o rapaz em paz.

Mas não és tu que está constantemente a abrir tópicos por tudo e por nada inclusive de noticias que pessoas com o jornal a frente não vêm (pseudo comentário de gajo qq do blitz)?

é cada uma...

B)

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Mas não és tu que está constantemente a abrir tópicos por tudo e por nada inclusive de noticias que pessoas com o jornal a frente não vêm (pseudo comentário de gajo qq do blitz)?

é cada uma...

B)

Hamm, o k tem isso a ver? O.o

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