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Jogadores portugueses enganados em Chipre, Grécia, Turquia e Roménia

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Jogadores portugueses enganados em Chipre, Grécia, Turquia e Roménia

Riscos de incumprimento salarial, coacção física e psicológica a futebolistas estrangeiros levam FIPPro e Sindicato dos Jogadores a lançar alerta aos seus associados.

Assinar um contrato para jogar nos campeonatos de Chipre, Grécia ou Turquia pode implicar grandes riscos para um jogador profissional, especialmente se for estrangeiro. Os casos de incumprimento salarial têm aumentado, assim como situações de coacção física e psicológica sobre os atletas, entre os quais portugueses. A FIFPro, confederação internacional de sindicatos de jogadores profissionais, aconselhou ontem os associados a terem cautelas antes de assinarem um contrato com emblemas destes países e o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) português alarga o alerta à Roménia.

"Estive a jogar em Chipre na última temporada e, no meu caso, não me pagaram dois meses de ordenados", revelou ao PÚBLICO Rui Miguel, actualmente jogador do Paços de Ferreira, que alinhou em 2012-13 pelo AEL Limassol. "Passei por algumas situações complicadas. Fui ameaçado por dirigentes [um dos quais português] para rescindir o meu contrato de dois anos e prescindir das verbas a que teria direito", denuncia o médio, admitindo que o contexto de crise financeira que Chipre está a atravessar tem agudizado a situação.

Também Paulo Sérgio, avançado que integrou esta temporada os quadros do Arouca, viveu momentos difíceis em Chipre no ano passado, igualmente ao serviço do AEL Limassol. "Eles prometem, mas depois não pagam os ordenados e ainda ameaçam os jogadores", lamentou o avançado formado nas escolas do Sporting, que aceitou rescindir o seu contrato e regressar a Portugal.

"Sei do caso de um português, que não vou referir o nome, que tinha mais um ano de contrato e o clube queria rescindir. Disseram-lhe que se não saísse a bem, sairia a mal. Uma noite conduzia um automóvel, acompanhado pela esposa e filha, e foi mandado parar por um carro da polícia a poucos metros de casa. Meteram-lhe dois cães dentro do veículo e disseram-lhe que aquilo era só um aviso, que na próxima vez iriam "encontrar" droga no carro. No dia seguinte aceitou rescindir, abdicando de tudo o que teria a receber", recordou Rui Miguel, que também passou por outras situações complicadas no futebol romeno e russo.

A Roménia não está incluída no alerta da FIFPro, mas é, segundo o SJPF, outro destino problemático, pelo menos para os jogadores nacionais. "Na óptica dos futebolistas portugueses, os países onde se verificam situações anómalas mais graves são Chipre, Grécia e Roménia, mas não tanto a Turquia", garante Joaquim Evangelista, presidente do SJPF. "A maioria dos jogadores portugueses que vai para estes campeonatos responde a uma oportunidade que lhe é apresentada por um empresário, que pode ou não ser certificado. Os atletas não sabem muitas vezes que proposta estão a assinar."

Este não foi o caso de Rui Miguel, que partiu para Chipre com um contrato devidamente traduzido e rubricado, mas nem isso permite muitas vezes descansar. "Na Rússia [onde representou o Krasnodar, em 2011-12] também tive problemas. No acordo que assinei tinha direito a um carro com motorista, mas foram-me ambos retirados quando cheguei e tinha de deslocar-me sempre de táxi. Depois, também me tiraram a casa que o clube tinha alugado, com as minhas coisas lá dentro."

Após esta experiência negativa em terras russas, o médio, de 29 anos, seguiu para a Roménia, mas o cenário não melhorou. "Estive lá cinco meses [ao serviço do Astra Giurgiu] e nunca recebi ordenado. Tive de levar o caso à FIFA e, como represália, puseram-me a treinar com os juniores e nem me forneciam equipamento." Mas a queixa terá sido a melhor opção do jogador: "Como a equipa tinha alcançado o segundo lugar no campeonato e só poderia participar nas competições da UEFA sem casos pendentes de dívidas salariais, acabaram por pagar."

A maioria dos casos anómalos com estrangeiros nestas ligas verifica-se em clubes que não lutam pelos lugares europeus, segundo denuncia a FIFPro, já que não estão sujeitos aos controlos de licenciamento da UEFA. "Estes clubes oferecem salários estupendos, vivendas luxuosas, planos ambiciosos e um prémio de assinatura", revela o relatório deste organismo. Os jogadores têm encontrado uma realidade bem diferente. "Há mais casos de insucesso do que de sucesso", alerta Evangelista.

Público

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