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Saída Da Crise - Que Caminhos, Que Medidas...


Green Hawk
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"Der Spiegel": "Poupar não basta para Portugal sair da crise"

Portugal precisa de expandir a sua indústria e tornar-se mais atractivo ao investimento, defende a revista alemã num longo artigo sobre o país.

“Depois de viver acima das suas possibilidades durante décadas, Portugal está agora a sentir o pleno impacto da crise. O governo está a responder com um brutal pacote de austeridade. Mas só com poupanças, não vai lá – o país precisa de encontrar formas de expandir a sua indústria e de se tornar mais atractivo para o investimento. A boa notícia é que esses modelos positivos já existem dentro das suas fronteiras”.

É desta forma que a revista alemã “Der Spiegel” inicia um alargado trabalho sobre Portugal, onde identifica o que considera serem as suas debilidades e os seus pontos fortes.

“O ar cheira a salgado no Cabo da Roca, a cerca de 30 km de Lisboa. (...) Uma tabuleta anuncia: ‘O fim da Europa’. Estas palavras parecem estranhamente proféticas nesta altura”, prossegue o artigo, divulgado na edição da revista desta semana.

Alexander Jung, o seu autor, descreve depois o corredor "com duas pistas" onde "raramente se vêem ciclistas", até "porque o vento é simplesmente demasiado forte". Fala dessa via que "abraça a faixa costeira durante vários quilómetros, entre Cascais e o Guincho" para começar a desfiar exemplos dos excessos a que o país outrora se permitiu.

“Este luxuoso corredor para bicicletas é uma recordação de tempos melhores, daqueles anos em que os portugueses ainda conseguiam captar recursos ilimitados. Construíram o Colombo em Lisboa, o maior centro comercial da Europa naquela época. Também construíram moderníssimos estádios de futebol e muitas novas estradas, incluindo 2.700 km de autoestradas em duas décadas, muitas delas com seis faixas de rodagem – que estão, muitas vezes, completamente vazias”.

“Muitas coisas em Portugal estão sobredimensionadas e as drásticas consequências deste estilo de vida exorbitante estão agora a manifestar-se”, sublinha a “Der Spiegel”. “O país teve de recorrer ao fundo de resgate da Zona Euro, em Abril, mas isso só lhe concedeu um breve alívio no que respeita aos seus apuros financeiros”.

É Portugal uma segunda Grécia?

“A gravidade da situação tornou-se fortemente clara quando a agência Moody’s, depois de se questionar sobre se o país conseguiria honrar o pagamento das suas dívidas, cortou a dívida soberana de Portugal para o estatuto de lixo no início deste mês. (...) Estará a Zona Euro perante uma segunda Grécia?”, questiona a revista, que dedica cinco páginas a Portugal.

O artigo qualifica de “brutais" as

medidas de austeridade entretanto adoptadas, mas sublinha que estas se revelaram necessárias depois de o país ter vivido “acima das suas possibilidades durante décadas”.

Com a adesão à UE, em 1986, “repentinamente Portugal viu-se com o mesmo acesso ao crédito que os principais países, como a Alemanha e França”. “Consequentemente, as pessoas ficaram habituadas a automóveis velozes e apartamentos pomposos, tudo pago pelo crédito. Mas a aparente riqueza de Portugal era ilusória, porque não tinha qualquer ligação com a real solidez económica do país”.

Agora, explica a revista, “os portugueses não têm qualquer escolha senão poupar dinheiro de todas as formas possíveis. Até mesmo os fumadores reduziram consumo, conforme se observa pela queda de 20% nas receitas provenientes dos impostos sobre o tabaco, em Maio. Os anúncios nas vitrinas das lojas, que dizem “liquidação total”, especialmente nas comunidades mais pequenas, são um outro indicador de declínio”.

Portugueses estão em "estado de choque"

“O país está num profundo estado de crise, mas parece previsível que o pior ainda está para vir. As taxas de juro estão a subir, pedir crédito é cada vez mais caro, os bancos estão a emprestar menos dinheiro, as empresas pararam de investir, algumas estão a desmoronar-se devido ao aperto do crédito, e a taxa de desemprego continua a aumentar. (...) Muitos portugueses estão, simplesmente, em estado de choque”.

O artigo continua, realçando o facto de – ao contrário dos gregos – os portugueses não se terem envolvido em práticas questionáveis. “Os seus bancos não emitem tantos empréstimos de alto risco como os congéneres irlandeses. E não houve bolha do mercado imobiliário em Portugal, pelo menos com a dimensão que se verificou em Espanha. Mas agora os portugueses estão no mesmo barco que várias outras economias europeias actualmente em dificuldades”.

Entre as causas desta crise, a “Der Spiegel” salienta que os portugueses foram vítimas da globalização e que “Portugal é demasiado caro para aquilo que é capaz de produzir”. Com efeito, segundo este artigo, Portugal “é um país que produz muito pouco e consome demasiado”. A publicação alemã aponta igualmente “uma falta de competitividade e de empreendedorismo”, bem como a “escassez de trabalhadores qualificados”.

As rolhas como exemplo

Para finalizar, o artigo sublinha a Corticeira Amorim como sendo “um modelo para Portugal”. Um exemplo a seguir, já que se trata da maior produtora mundial de cortiça natural. “Uma em cada quatro rolhas vem das suas fábricas, que produzem cerca de três mil milhões de unidades por ano”.

O próprio Amorim acredita que a sua empresa pode servir de exemplo para todo o país, acrescentando que Portugal deve identificar os seus pontos fortes e apostar neles. “Temos tantos tesouros. Só temos de os desenterrar”, declarou o “chaimar” da corticeira à “Der Spiegel”.

“As medidas de austeridade, isoladamente, não irão recompor Portugal – ou a Grécia, a Irlanda ou Espanha. Uma abordagem possível para revitalizar a economia seria definir a indústria da madeira e do papel como nuclear para a produção, especialmente quando um terço do país está coberto de florestas.

Na indústria do calçado, algumas empresas já desviaram o seu foco para a produção de artigos de alta qualidade ao nível também do ‘design’”, exemplifica a revista alemã, citando economistas da OCDE, que dizem que Portugal atingirá uma maior produtividade se se especializar em produtos de qualidade”.

Os mesmos economistas identificaram um potencial adicional no turismo, lembra aquela publicação. Por isso, há que apostar neste sector. Neste e em todos os que tiverem capacidade para tirar Portugal dos actuais apuros.

Quem perceber Inglês, pode ler o artigo original, uma vez que o artigo em Português é apenas um resumo, um pouco mal feito.

After living beyond its means for decades, Portugal is now feeling the full brunt of the crisis. The government is responding with a brutal austerity package. But savings alone won't do the trick -- the country needs to find ways to expand industry and make itself more attractive for investment. The good news is that positive models already exist within its own borders.

http://www.spiegel.d...,776710,00.html

O intuito do tópico era discutir ideias que possam retirar Portugal do "fundo da Europa"... O diagnóstico está feito, mas que medidas devem ser exploradas, como devem ser exploradas, qual o papel dos portugueses, como podemos construir um Portugal que de futuro seja imune a estas crises?

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É facil sair da crise:

Produzir mais, exportar mais, mais investimento, menos despesismo por parte do estado.

Isto claro implica mais emprego, menos tachos e jobs for the boys, menos impostos e aumentos que só estrangulam as pessoas.

Done!

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Com a adesão à UE, em 1986, “repentinamente Portugal viu-se com o mesmo acesso ao crédito que os principais países, como a Alemanha e França”. “Consequentemente, as pessoas ficaram habituadas a automóveis velozes e apartamentos pomposos, tudo pago pelo crédito. Mas a aparente riqueza de Portugal era ilusória, porque não tinha qualquer ligação com a real solidez económica do país”.

Se esse é o caso curtia saber onde estão os meus!

a generalizar e xenófobos para variar...

(nao digo que muito não seja verdade mas há aí vários comentários a fugir para esses lados)

É preciso ter cuidado, cada um puxa a brasa para a sua sardinha. E acham que a Alemanha não beneficiou da crise em Portugal?

É facil sair da crise:

Produzir mais, exportar mais, mais investimento, menos despesismo por parte do estado.

Isto claro implica mais emprego, menos tachos e jobs for the boys, menos impostos e aumentos que só estrangulam as pessoas.

Done!

Isso é constatar o óbvio... Porque se fosse assim tão simples, não estávamos onde estamos!

Então e querias o quê? Que alguém se saísse com uma cura milagrosa para a crise?

Queres a cura? A cura é bastante simples para além do acima referido, TRABALHAR.

Isto vai parecer um comentário bastante xenófobo apesar de não ser essa a minha intenção, apenas pretendo referir uma situação flagrante.

Eu não tenho nada contra imigrantes muito pelo contrário, a nossa população está a diminuir e precisamos de mais gente cá (e qualificada de preferência). Agora, ainda no outro dia vi uma reportagem penso que na sic noticias sobre imigrantes que vieram em busca de uma vida melhor acabando por cá ficar não a trabalhar mas a viver à custa de subsídios. E agora que estão a ser cortados estão-se a amontoar-se em filas de espera para lhes subsidiarem uma viagem de retorno ao país de origem e lhes subsidiarem também a sua reintegração de volta no seu país de origem... Isto diz alguma coisa não?

Onde quero chegar com isto... há muita gente que precisa dos subsídios, mas também há um numero igual ou superior de pessoas que abusa deles e é preciso fazer algo quanto a isso. Quanta gente não mete baixa medica ou recusa empregos constantemente só para ficar sem fazer nada no fundo de desemprego a receber o subsidio?

As pessoas não fazem nada porque o estado lhes paga para não fazer nada.

Edited by Lancer
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É como tudo na vida, há sempre dois lados da questão: nessa situação há evidentemente quem viva de forma parasita dos subsídios do estado e depois há quem precise efectivamente deles. O que fazer? Cortar os subsídios e reestabelecer e justiça dos parasitas não terem direito a eles? Ou em alternativa manter os subsídios e manter a justiça de quem precisa efectivamente deles?

Isto aqui faz parte dum dos graves problemas da nossa sociedade: a (péssima) atitude das próprias pessoas, enquanto as pessoas não ajudarem não vamos a lado nenhum, seja qual for o governo, seja com troika seja com o que for.

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  • 1 month later...

A propósito das novas medidas para combater a crise...

Peter Villax. "Os portugueses não gostam de trabalhar"

Publicado em 02 de Setembro de 2011

O herdeiro da Hovione diz que só se lembram dos ricos para pagar impostos, mas não os desafiam a criar riqueza. "O empresário português é um privilegiado..."

Opções

Este é o homem que irritou Sócrates quando, numa conferência em que participavam empresários, economistas e políticos, disse ao então primeiro-ministro, que tinha acabado de discursar: "Eu tenho um problema essencial consigo: os seus actos não reflectem as suas palavras". Foi aplaudido de pé. Peter Villax, vice-presidente da Hovione, uma multinacional com sede em Portugal que factura mais de 100 milhões de euros, diz que os portugueses gostam de trabalhar... pouco!

Qual a sua opinião sobre os aumentos de IRS e de IRC para os mais ricos ?

É uma necessidade política mas um disparate económico. O Warren Buffett já diz há muitos anos que paga menos impostos que a secretária, mas isso tem a ver com os créditos fiscais americanos, que são muito complexos e permitem a um bilionário com bons advogados acabar por pagar relativamente menos. Mas aqui em Portugal a carta de Buffett foi o rastilho para a discussão sobre a taxação dos ricos, o que caí sempre bem na opinião pública, e permite dizer que estamos todos a partilhar o sacrifício, etc.

E não estamos?

É um tiro no pé, porque são justamente os ricos que têm dinheiro para criar emprego. Estou farto desta demagogia, os ricos não são o problema, os pobres é que são o problema! É com os pobres e com a pobreza que temos de acabar, não é com os ricos!

O que sugere?

Em vez de lhes pedirmos mais impostos, deviamos mas é baixar-lhes a taxa em troca da criação de empregos novos!

Faria muito mais sentido baixar a taxa máxima de IRS de accionistas de referência em 1% por cada 250 empregos novos gerados. Só nos lembramos dos ricos para cobrar impostos.

A Taxa Social Única ainda está a ser ponderada...

O meu objectivo, como empresário e como gestor, tem a ver com modelos e negócio, com produtos, com clientes, feiras, promoção, publicidade, patentes, invenções... Talvez preferisse aumentar a semana de trabalho, em vez de reduzir a TSU. Para mim, faria muito mais sentido.

A Lonza, uma empresa suiça cinco vezes maior que a Hovione, aumentou a semana de trabalho. E isto foi só a administração dizer a uma sexta-feira que a partir de segunda iriam aumentar a semana de trabalho. Todos concordaram.

Em Portugal, isso seria possível?

Não! Nós, por questões religiosas, não gostamos de trabalho. O trabalho foi o castigo por Adão e Eva terem cometido o pecado original. Hoje, o discurso extremou-se e o castigo tem que ser redimido com direitos e regalias sociais. Mas existe numa grande parte da nossa sociedade a ideia de que trabalhar, o menos possível! Safar-me ao trabalho, sempre que possa. O trabalho liberta-nos da pobreza!

Os salários em Portugal são justos?

Ganhamos pouco como povo. E temos que ganhar mais. Temos que abandonar o discurso de salários baixos, estamos todos fartos de salários baixos em Portugal. Mas temos que produzir mais.

Como se quebra essa mentalidade?

Mudando o discurso dos empresários e dizendo que a forma e o raciocínio dos sindicatos é totalmente anacrónica. Temos que valorizar o trabalho, não o ócio.

É um crítico do empresário português e dos sindicatos?

A sociedade tem que desafiar o empresário português. Os políticos têm que exigir mais ao empresário português. Portanto, a crítica é tanto ao empresário como à sociedade.

O que falha nesse relacionamento?

O empresário está extraordinariamente ligado ao lucro. E o lucro, em Portugal, é muito mal visto. Para mim, o lucro é a medida da saúde do negócio.

E porque é que o lucro é mal visto?

Portugal convive mal com questões de riqueza. Quando as nossas publicações falam sobre as pessoas mais ricas do país é para mostrar que os índices de desigualdade são cada vez maiores. O que é verdade, e é um problema que temos que atacar. Mas não é pelos ricos serem mais ricos, é por os pobres não enriquecerem.

Como é que isso se faz?

Temos uma economia baseada sobre o conhecimento. Pertencemos a um país moderno e sofisticado. Portugal é um país da linha da frente. É! Não somos um país do terceiro mundo.

Com que base faz essa afirmação?

Se olharmos para os rankings mundiais, estamos no fim do primeiro terço, mas estamos no primeiro terço.

Os rankings reflectem a realidade?

Para Sócrates os rankings eram importantes. Ele estudava a forma de fazer Portugal subir nos rankings e fê-lo de uma forma muitíssimo inteligente.

Isso significa que estamos lá não por mérito, não pela qualidade, mas sim pela inteligência no método...

Não. Sócrates acreditava nas avaliações. E fez aquilo que qualquer pessoa inteligente faria... Estudou o sistema da pontuação para saber como fazer subir Portugal. Não vejo nenhum mal nisso.

Dizia que é pelo conhecimento que uma sociedade enriquece...

Isso. E nós temos torpedeado o ensino em Portugal nos últimos 20 anos. O nosso sistema de ensino, ensino público, é o meio mais importante para enriquecer o país. E nós temos dito ao povo e aos seus filhos: não se preocupem com os exames, nós passamos por si. O resultado está à vista.

Portugal subiu no ranking da educação...

Temos um país mais ignorante do que há 20 ou 30 anos e o potencial de enriquecimento foi enfraquecido. Eu vejo isto: há 20 anos eu recrutava uma secretária com o 12.º ano, neste momento tenho que a recrutar com uma licenciatura, porque quem me aparece com o 12.º ano, infelizmente, já não está ao nível das necessidades. E isto acontece com várias pessoas que conheço.

Tem seis filhos, com idades entre os 11 e os 26 anos. Isso permite-lhe comparar o ensino português com o estrangeiro. Que comparação faz?

É desfavorável para o ensino português, que privilegia não o raciocínio, mas a resposta correcta. Não há raciocínio livre, não há desenvolvimento de raciocínio. Os exames portugueses de 12.º ano são uma dezena de perguntas, em que cada uma vale "x" pontos. O exame de Baccalauréat francês é uma pergunta, à escolha de três, com quatro horas para responder. E isso é muito mais desafiante para o aluno e para o professor, que vai ter de dar uma nota a um trabalho de seis páginas em que avalia o estudante não pela correcção da resposta, mas pela originalidade, pela capacidade de raciocínio, pela cultura geral, pela capacidade de citar autores...

Com o ensino superior é diferente?

Todos os meus filhos foram e irão para a Universidade portuguesa. O ensino superior português é de elevadíssima qualidade. As nossas escolas de engenharia são das melhores do mundo. O Instituto Superior Técnico é uma das melhores escolas de engenharia do mundo. E eu sei, porque temos na Hovione engenheiros vindos das melhores escolas do mundo.

Ainda sobre os sindicatos, o que é que podiam fazer que não fazem?

Conheço um grande sindicalista português que em privado tem uma conversa e com o microfone à frente faz um discurso bem diferente. Em privado, a conversa dele é quase igual à minha.

O que é que falha?

O que falha é que o sindicalista tem centenas de milhar de filiados que estão à espera de um determinado discurso, politicamente correcto, para que a massa associativa o siga.

É um problema de ego...

É um problema de expectativas políticas. Estamos completamente encurralados pelo paradigma do 25 de Abril de 1974, que determina a nossa forma de falar, de ser entrevistado, de fazer declarações públicas. Quantas vezes tenho falado com políticos e com líderes que em privado afirmam uma coisa e em público outra. Acho isso extraordinário.

O que pensa das empresas que têm domicílio fiscal fora de Portugal?

As empresas podem estabelecer as suas sedes onde lhes for mais proveitoso. Empresas como a Sonae, por exemplo, empregam dezenas de milhar de pessoas em Portugal, não na Holanda. A quantidade de impostos que são pagos ao erário público português graças ao trabalho dessas empresas é gigantesca. Aliás, a única coisa que resta aos estados para concorrer entre eles são as condições fiscais.

É a favor da harmonização fiscal?

Nunca vai haver uma harmonização fiscal porque os países precisam dessa liberdade para concorrer entre si. A Alemanha tentou que a Irlanda aumentasse o seu IRC de 12,5% para um valor muito mais elevado e não conseguiu.

As empresas europeias e americanas são penalizadas por países asiáticos?

Concorremos globalmente e alguns concorrentes não jogam pelas mesmas regras, facilitam, cortam na qualidade, e acabam por ter uma vantagem competitiva sobre nós. É o que chamamos a vantagem competitiva do incumprimento.

Qual deve ser o papel do Estado na economia?

Acredito em muito menos Estado e muito mais forte. Para termos um Estado melhor temos que começar por ter tribunais muitíssimo melhores. Fico admirado pela forma excelente como Portugal funciona na ausência completa de eficácia jurídica.

Como vê o futuro de Portugal?

Tal como se faz nas empresas, que têm uma missão, uma visão, valores, planos operacionais, plano estratégico, o governo tem que ter um plano. E não vejo problema absolutamente nenhum em que o rumo para Portugal saia do Parlamento, do conjunto dos grandes partidos. Tem é que ser consensual. E tem que ser para os próximos 25 anos. A Hovione quer ser a maior empresa do seu sector em 2028. E todas as pessoas que trabalham na empresa o sabem.

Falta visão?

Nos últimos dois anos a navegação foi à vista. E a vista era de uma semana. E temos que trabalhar em equipa. O que eu vejo em Portugal é uma discussão contínua do óbvio. Tudo se discute, não há cultura de consenso, não há cultura de concordância. Temporariamente, episodicamente, temos concordância, como acontece com o memorando de 78 páginas que nos dá um programa de governo imposto por fora.

Somos bem-mandados?

É uma questão de cultura, mas que se pode mudar. A posição do líder é absolutamente determinante para existir o tal alinhamento.

O facto de ser um país pequeno traz a Portugal uma maior dependência...

(Cortando a palavra) Que ideia, não somos nada um país pequenino. Mais pequenos que nós são a Bélgica, a Suíça, a Áustria, a Holanda, o Luxemburgo...

O que têm esses países que nos falta?

Confiança! Temos que acreditar em nós próprios. E temos razões para isso, temos futuro.

Qual é, para si, o grande perigo da sociedade actual?

A sociedade ocidental actual está em decadência. Vai continuar a ser um símbolo cultural, para o oriente, mas o poder económico e militar vai passar para a China. Eu vejo isso com enorme naturalidade, porque não podemos fazer absolutamente nada para contrariar esse movimento. É o resultado da nossa história e tem que ser acompanhado de forma pacífica.

E a Europa?

Sou pessimista em relação à Europa. O que podemos mudar na Europa tem essencialmente a ver com valores. Somos um continente cada vez mais fracturado em termos filosóficos e as posições extremam-se. A China é um país totalmente alinhado. Achei imensa graça quando, a seguir aos motins de Londres, as autoridades chinesas questionaram o governo britânico sobre a sua capacidade de garantir a segurança nos Jogos Olímpicos de 2012... Um comentário divertidíssimo, justamente porque a China foi criticada na preparação dos Jogos Olímpicos em Pequim devido à poluição e à segurança. Ri bem quem ri por último.

Voltando a Portugal... Mário Soares dizia há dias que reconhecia o capitalismo como o único sistema económico viável...

A grande fraqueza do capitalismo é que não se preocupa com questões sociais. Mas aí está. Acreditamos que temos que promover a igualdade ao mesmo tempo que temos um sistema económico que promove a desigualdade. E isto é fonte contínua de tensão. É isto que provoca os motins em Londres. Uma parte da população que não tem nada a não ser problemas e só tem um direito, o poder de fazer a revolução. E, periodicamente, fá-la.

A Hovione também tem vindo a fazer a sua revolução, com novos inventos. Porque é que há tão poucas patentes registadas em Portugal?

António Campinos, que foi presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) até revolucionou a instituição e ainda fez alguns inimigos na indústria. Preocupou-se com o aumentou dos pedidos de patente em Portugal. E em termos percentuais subiu imenso: triplicou ou quadruplicou. Mas subiu de pouquíssimo para pouco.

Porquê?

Muitas patentes estão em nome individual. Como o registo é relativamente barato, e basta pagar uma anuidade, no caso de a patente se tornar valiosa é fácil vendê-la a uma empresa e realizar uma mais-valia pessoal.

Por outro lado, a nossa economia avançada continua muito focada nos serviços e tudo quanto é tecnologia de informação não tem poderes. Uma patente é um documento que demora um a dois meses a escrever e a preparar, tem de ser afinada, é feito um depósito, depois as autoridades têm 18 meses para fazer uma avaliação. Ora, na área das Tecnologias de Informação, em dois meses mais 18 meses já o produto está inventado, industrializado, comercializado e morto. Ou seja, patente, tecnologia de informação, não interessa.

O empresário português preocupa-se com o desenvolvimento?

O empresário português é um privilegiado, porque a sociedade exige-lhe muito pouco. Exige-lhe só, e cada vez mais, que pague os seus impostos, mas não lhe exige que gere riqueza. Portanto, está sobretudo preocupado com um retorno muito rápido do seu capital.

Quanto gasta a Hovione em investigação e desenvolvimento?

Gasta seis milhões de euros. Isto coloca-nos na 30.ª posição no ranking.

Faz-se boa investigação em Portugal?

Como lhe disse, José Sócrates tinha uma enorme ambição e a sua forma de governar era fazer com que Portugal subisse nos rankings. Um ranking particularmente fácil de subir, porque é estabelecido exclusivamente pela despesa financeira, pelo investimento, era o de I&D. Para subir no ranking de I&D, Mariano Gago pediu e obteve 500 milhões de euros para a Fundação para a Ciência e Tecnologia e o apoio do SIFIDE, um sistema de crédito fiscal que já vinha do tempo de António Guterres, ao abrigo do qual 30% dos gastos em investigação e desenvolvimento são dedutíveis na matéria colectável.

Com que resultados?

Esse é o grande problema, isto não garante resultados.

É possível continuar assim?

Se estamos a gastar tanto dinheiro público, então o contribuinte tem que se sentir beneficiado pelos resultados dessa ciência. Neste momento há uma enorme relutância em abandonar o actual modelo de financiamento.

Qual é a alternativa ao modelo actual?

Não basta apenas, como até aqui, provar que se gastou o dinheiro. Tem que haver uma componente de avaliação sobre os resultados produzidos. As avaliações, que até agora são extremamente quantitativas, têm que ser qualitativas. Temos avaliar o resultado e não apenas o esforço.

Como é que isso pode ser feito?

Temos que pôr as universidades e empresas a colaborar muitíssimo mais. A ciência pública vai ter que servir o cidadão. Se ele paga, a ciência tem que ser em seu benefício. E quando eu digo cidadão português, digo o cidadão do mundo. Portugal tem uma tradição em medicina tropical de longas décadas, devido às nossas colónias. Em vez de ter a sua investigação pulverizada, que é uma coisa que acontece em todos os institutos públicos, cá ninguém sabe o que o outro está a fazer. Deviam existir desígnios nacionais.

Quais seriam, pode dar exemplos?

Teriam que ir ao encontro dos problemas de Portugal. Escassez de meios energéticos, por exemplo. Nós não temos energia. Então, vamos dirigir parte da questão para aumentar a eficiência dos sistemas, aumentar a rentabilidade da energia eólica. O envelhecimento da população. O que a afecta são doenças neuro-degenerativas características de idades avançadas: Parkinson e Alzheimer. Vamos concentrar-nos nas curas. Portugal tem uma grande relação com África. Os problemas da África são a Malária, a subnutrição... Então, vamos ver o que é que a nossa investigação pode fazer para ajudar essas populações. E vamos transformar os nossos institutos virados para a resolução de problemas. Desaproveitar isto é blasfémia pura!

http://www.ionline.pt/conteudo/146726-peter-villax-os-portugueses-nao-gostam-trabalhar

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O gajo é burro.

Os Portugueses gostam tanto de trabalhar, como os outros.

O que nos falta a nós é ideias.

Por exemplo, porque é que nunca nos lembramos de criar uma marca de automóvel nos tempos em que isso era possivel? etc etc

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Eu penso que o que ele quer dizer é que a nossa cultura é de relaxamento e que muitas das medidas implementadas vão mais na direcção de calar a opinião pública do que fazer algo pensado e planeado....

Também não acho que trabalhar mais que 8 horas dê assim tanto aumento na produção... Um dos factores que me faz ser mais produtivo é a motivação e estar no trabalho mais de 8 horas, desmotiva-me. Toda a gente precisa de recarregar baterias fazendo coisas que nada têm a ver com o trabalho.

Depois acho que o futuro das empresas, será o de empresas em que os accionistas serão os próprios trabalhadores das comunidades em que essas empresas se inserem. Digo isto, porque acho que se os trabalhadores partilhassem os lucros, estivessem mais envolvidos e tivessem mais conhecimento do negócio da empresa, a sua motivação aumentaria. Porque sentiriam que a empresa, também era sua....

Mas isto tudo para dizer, que a mentalidade tuga terá que mudar bastante, se algum dia quisermos voltar a ter os níveis de vida que tínhamos no inicio do milénio...

Gerar riqueza/ ser rico não pode ser sinónimo de ladrão, de benefeciado...

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Green Hawk não é só isso.

Achas que as pessoas andam motivadas a receberem pouco mais do que 500€ por mês, por verem o Estado roubar-lhes o dinheiro todo em impostos directos e indirectos, ver os Patrões a darem-se ao luxo de abusarem deles etc etc

Quase ninguém anda a trabalhar motivado em Portugal. E a motivação é só um dos factores mais importante no bom trabalho. Quem trabalha por gosto, não cansa.

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Os Portugueses gostam tanto de trabalhar, como os outros.

humm......

Agora fora de brincadeiras, todo os dias faço uma boa caminhada de casa para o metro e do metro para casa, todos os dias passo num bairro social, seja a que horas for, vejo sempre as mesmas caras (de gente com corpinho para trabalhar), sentados no muro, a fumar um cigarrinho. E isto acontece sempre, excepto no verão em que vão todos os dias para a praia. Sair da crise assim é complicado! Dizem que os Portugueses não gostam de trabalhar, até é capaz de ser verdade, mas o real problema é que metade dos Portugueses trabalham para que a outra metade possa ficar em casa a dizer que o país tá mau.

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Os Portugueses gostam tanto de trabalhar, como os outros.

humm......

Agora fora de brincadeiras, todo os dias faço uma boa caminhada de casa para o metro e do metro para casa, todos os dias passo num bairro social, seja a que horas for, vejo sempre as mesmas caras (de gente com corpinho para trabalhar), sentados no muro, a fumar um cigarrinho. E isto acontece sempre, excepto no verão em que vão todos os dias para a praia. Sair da crise assim é complicado! Dizem que os Portugueses não gostam de trabalhar, até é capaz de ser verdade, mas o real problema é que metade dos Portugueses trabalham para que a outra metade possa ficar em casa a dizer que o país tá mau.

Vais a outros Países e encontras o mesmo. Em alguns até bem mais explicito do que aqui. Não é por ai.

Pessoas que não gostam de trabalhar, ou que só gostam de armar problemas, há em todo o lado, não só em Portugal.

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Claro que é um grande problema o que o Hyde falou.. Não é sustentável andarmos a trabalhar para pagar a 50% da população. E desses 50%, provavelmente 80% não terá direito a qualquer tipo de subsidio ou de apoio.. Simplesmente exploram o estado e consequentemente as pessoas que trabalham e as que realmente merecem esses apoios.

Só na praga das baixas médicas é um bicho de sete cabeças.. A pressão que o povinho faz nas consultas para ter a dispensa médica é chocante e são muito facilmente capazes de até ir para a violência física, só para se esquivarem de trabalhar.

Somos uma cultura do deixa para lá e do suficiente.. Tem as vantagens de ninguém nos vir foder, mas também não vamos a lado nenhum.. e agora até corremos o risco de ir para algum lado, sim, mas para o fundo do poço.

Eu só gostava de saber o que é que nos aconteceu nos últimos 6 séculos.

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O gajo é burro.

Os Portugueses gostam tanto de trabalhar, como os outros.

O que nos falta a nós é ideias.

Por exemplo, porque é que nunca nos lembramos de criar uma marca de automóvel nos tempos em que isso era possivel? etc etc

Nim e São.

Não nego que cá como lá fora tens num emprego o empregado que dá largo ao braço para render e o outro que vai fazendo. Seria estranho ser diferente. O que penso falhar em portugal é muitas vezes os superiores darem paninhos quentes nas pessoas em vez de 2 berros. Porque se optarem sempre pelos paninhos quentes, aquele que acaba o dia a suar e vê ao lado outro a baldar-se, chateia-se e acaba ele por cruzar também os braços.

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O gajo é burro.

Os Portugueses gostam tanto de trabalhar, como os outros.

O que nos falta a nós é ideias.

Por exemplo, porque é que nunca nos lembramos de criar uma marca de automóvel nos tempos em que isso era possivel? etc etc

De burro o senhor não tem nada.

Pessoalmente discordo quando dizes que o Português gosta tanto de trabalhar como os outros, "O Maior" é sempre aquele que arranja maneira de se esquivar às coisas. Mesmo assim partindo do teu pressuposto que gostamos tanto com os outros, claramente não se está na mesma posição dos outros, portanto tem que se trabalhar mais que os outros, não é tanto como.

E discordando do segundo ponto também. Precisas mais de Acção do que de Ideias. Os exemplos que ele deu das patentes, da Justiça e da interacção entre Universidades e Empresas são bastante evidentes.

Tem de existir um plano, uma direcção para o futuro a longo prazo(a tal Ideia) mas depois tem de se seguir isso à risca! Não é mudar isso de eleições em eleições.

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É um facto que faz parte da mentalidade Tuga fazer o menos possível e fugir o mais possível às leis, às suas responsabilidades etc. Isso tem de mudar, e quando isso mudar talvez se consiga mudar também a lógica de muito patronato que ainda tem a mentalidade de explorar o mais possível.

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n tem a ver directamente com as solucoes, mas se calhar convem passar uma vista de olhos nas seguintes conclusoes para se poder adivinhar qual o sentido que podem ter "manifestacoes populares descontroladas", e as cedencias aos facilitismos e discursos demagogicos e populistas ;)

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Um relatório de choque do banco UBS aponta para as consequências políticas da fragmentação e desintegração da zona euro.

Saída da zona monetária poderá custar entre 40 a 50% do PIB de um "periférico"

As consequências políticas de uma fragmentação de uma zona monetária são muito sérias. Aos efeitos monetários e económicos associar-se-ão provavelmente um de dois resultados: "Ou se caminha para uma resposta mais autoritária de governo para conter ou reprimir a desordem social - um cenário que tenderá a exigir uma mudança de governo democrático para autoritário ou militar -, ou, em alternativa, a desordem social se misturará com fraturas na sociedade para dividir o país, redundando em guerra civil".

Estes cenários são apresentados num relatório de choque do banco UBS, da autoria de Stephane Deo, Paul Donovam e Larry Hatheway, a que o Financial Times e o Business Insider tiveram acesso.

Apesar do cenário negro, o relatório admite que a zona euro acabará por evoluir, mesmo que lentamente (o ministro das Finanças alemão falava hoje no Financial Times dos alemães serem adeptos de "pequenos passos") e muito dolorosamente, para a integração orçamental e a governação económica.

Mas as conclusões para que o relatório aponta merecem reflexão no detalhe:

1- A zona euro não pode continuar com esta estrutura e com estes membros atuais. "Ou a estrutura atual muda, ou os membros terão de mudar". Mas a fragmentação ou liquidação da zona monetária única tem um custo ainda mais elevado.

2- O custo para um "periférico" ronda os 40 a 50% do seu produto interno bruto (PIB) no primeiro ano depois da saída do euro. Para cada cidadão do país que sai, o custo dessa saída rondará os 9500 a 11500 euros no primeiro ano e entre 3000 a 4000 euros por ano nos anos subsequentes.

3- No caso de um país do "núcleo duro" da zona euro, uma saída do euro implicaria uma bancarrota de empresas de referência, a re-estruturação do sistema bancário e o colapso do seu comércio internacional. O impacto, no caso da Alemanha, por exemplo, seria de 20 a 25% do PIB.

4- Em termos comparativos, para o caso germânico, a saída do euro implicaria para cada alemão um custo de 6000 a 8000 euros no primeiro ano e entre 3500 a 4500 euros por ano nos anos subsequentes, enquanto que um resgate completo da Grécia, Portugal e Irlanda, em caso de bancarrota, custaria, apenas, 1000 euros de uma só vez.

5- Mas o custo económico e monetário deve ser "a última das preocupações dos investidores". Porquê? Porque as consequências políticas são mais gravosas ainda: "Merece a pena salientar que quase nenhuma união monetária moderna se dissolveu sem alguma forma de governo autoritário ou militar, ou guerra civil".

Acresce ainda um outro detalhe que não é referido pelo relatório. Para além das consequências políticas de regime ou de guerra civil, a turbulência nos países "periféricos" da atual zona euro traria consequências geopolíticas, em situações de caos político e desagregação do estado e da sociedade. Estes países encontram-se no que se designa em geoestratégia de zonas de embate (shatterbelt) entre grandes potências, frequentemente sujeitas, ao longo da história, a serem palcos de disputas diretas ou indiretas de terceiros próximos ou longínquos.

http://aeiou.expresso.pt/guerras-civis-e-ditaduras-se-o-euro-se-desintegrar=f672167

Convinha mta gente ler isto antes de andar a mandar postas de pescada para o ar sem perceber da pesca ;)

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Acho que a comparação não é bem feita, uma vez que os estados e as democracias entretanto também evoluíram.

A Argentina quando se desindexou do dollar americano, não passou por uma guerra civil, no panorama internacional a situação pouco mudou.

A Turquia há uns anos atrás também mudou de moeda e também não foi por isso que houve guerra civil...

O que podem dizer e com razão é que o país internamente entrará em caos , os índices de pobreza aumentarão bastante e boa parte da população imigrará. Principalmente porque ninguém está disposto a baixar de forma tão drástica, o seu nível de vida.

No caso da União Europeia será mais grave, porque as fronteiras estão abertas no âmbito do tratado de Schengen. Como se resolveria isto?

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