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Portugal À Beira Da Bancarrota

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Da última vez que acusámos o Governo de negação, ostensiva e delirante, que embalou o País na mentira da situação financeira, foram precisos seis meses para chegarem os cortes mais violentos de sempre. Agora não vai ser preciso passar tanto.

Estamos há tantos meses em estado de calamidade que entrámos em dormência. Mas a história, a nossa história, está a ser escrita nestes dias - e não nos está a correr muito bem. Não é apenas a taxa de juro que fura a possibilidade quântica das nossas possibilidades. São empresas do Estado que não se financiam. É a Comissão Europeia a impor a política doméstica. É o BCE a emprestar. É a vontade de sermos ajudados - mas com mácula.

O debate histriónico FMI entra/não entra é um exercício de anti-retórica política de fuga à realidade. Portugal já está a ser ajudado. O BCE já detém 15% da nossa dívida pública (quin-ze-por-cen-to!) e as suas equipas andam nos ministérios de Lisboa. Há pressões para Portugal apressar o pedido de ajuda, como ontem de manhã este jornal noticiou e a Reuters à tarde revalidou. E José Sócrates, que nos jornais estrangeiros vai sendo a face da nossa figura ridícula, fará como Mubarak: na véspera de tudo correr mal, continuará a dizer que tudo corre bem.

Repare na manchete de hoje: o Estado vendeu a si mesmo 400 imóveis em 2010, para melhorar o défice orçamental. Fê-lo à Parpública, uma empresa que era um colosso inexpugnável de participações empresariais e que se vai convertendo, e descapitalizando, em agência imobiliária. É um retrato: a Parpública antes não tinha qualquer dificuldade em ter financiamento; mas agora já não basta ser Estado.

Há dias uma empresa 100% do Estado tentou emitir dívida. Foi a Refer, que foi ao mercado com cinto e suspensórios: é do Estado, tinha garantia do Estado e pagaria mais 90 pontos-base do que o Estado. Fracassou. É preciso alerta mais flamejante? Se a PT, a EDP e a Cimpor conseguiram emitir dívida nas últimas semanas foi porque são cada vez menos portuguesas. Mas olhe os bancos: nem tentam.

Enfrentemos: a palavra "Portugal" é para os mercados financeiros tão sedutora como uma carraça para um cão. Dizê-lo não é ser antipatriota, não ouvi-lo é que é. É como o governador Carlos Costa, que disse que Portugal já está em recessão, o que terá feito Sócrates encomendar um boneco vudu para espetar finas agulhas. O problema não é dizer que estamos em recessão, o problema é estarmos em recessão. Estamos a enganar quem? Os mercados? Não: a nós! É isso ser patriota?

Em Novembro, Portugal esteve mais próximo de ser intervencionado pelo FMI do que soubemos. Em Janeiro, depois dos fracassos na Grécia e Irlanda, acreditámos que seríamos o primeiro país a ser ajudado num novo modelo. Assim é. Mas o novo modelo, que será decidido no Conselho Europeu Extraordinário a 11 de Março, não é uma solução desbacterializada.

A Europa está a negociar um indispensável alargamento do valor do fundo de emergência. E Portugal, que não pode demoradamente pagar taxas de juro de 7% (nem de 6%, nem de 5%, nem de 4%) quererá financiamento deste fundo a taxas próximos dos 3% - a taxa que nos é viável.

Não chega: poderemos ter de recomprar dívida com prejuízo. E seremos forçados na governação: em cima da mesa estão ainda mais alterações às leis laborais, mais cortes nas chefias, mais restrições na Função Pública, mais privatizações e (engula em seco), idade de reforma, se não mesmo pensões...

Bom, acorde e cheire a realidade. Estamos à mercê da ajuda, decisões e ordens da Comissão Europeia e da Alemanha. Seremos salvos mas pagaremos - e ficaremos com o estigma. Troque três letras: não é FMI, é BCE. O resto é conversa fiada. Digo bem: fiada, muito fiada, impossivelmente fiada.

In Jornal de Negócios

Pacheco Pereira diz que Portugal esteve à beira da bancarrota na quarta-feira

O deputado social-democrata afirmou que Portugal esteve, na quarta-feira, à beira da bancarrota quando o Governo lançou no mercado mil milhões de euros de dívida pública.

O deputado social-democrata Pacheco Pereira afirmou na sexta-feira à noite, em Coimbra, que Portugal esteve, na quarta-feira, à beira da bancarrota quando o Governo lançou no mercado mil milhões de euros de dívida pública.

“Estivemos no limite da bancarrota. Na última emissão houve enormes dificuldades antes do Banco Central Europeu desatar a comprar dívida para nos salvar o pescoço”, disse numa sessão sobre “O estado do Estado” na sede do PSD distrital.

Pacheco Pereira recordou que, em dois dias, o Presidente da República reuniu-se com todos os banqueiros nacionais, falou com o presidente da Comissão Europeia e com o ministro das Finanças, quando o país estava em “plena crise económico-financeira”.

“Estamos claramente no limite de uma crise de grande gravidade”, sustentou o político do PSD, acusando o Executivo socialista de ser o responsável pelo “descalabro da dívida” verificada nos últimos anos.

O historiador social-democrata salientou que a Europa “não nos é hoje favorável” e Portugal não é só visto como o “país que não cumpre”, mas é olhado com “muita hostilidade por aqueles que têm a bolsa, e nós hoje precisamos desesperadamente de aceder à bolsa”.

O deputado defendeu ainda um acordo entre os dois maiores partidos (PS e PSD) para se conseguir ultrapassar a crise que, segundo a sua previsão, vai durar cerca de uma década.

“Estamos numa enorme crise que, na melhor das hipóteses, demora quase uma década a resolver se tudo correr bem. E correr bem significa ter um plano consistente de austeridade, com princípio, meio e fim, que desloque os poucos recursos disponíveis para aquilo que é fundamental”, disse Pacheco Pereira.

“Ninguém tenha ilusões de que nos próximos anos seja possível manter um programa consistente de mudança, sem haver qualquer forma de entendimento entre os dois partidos, sobre isso não tenho dúvida nenhuma”, acrescentou.

Embora tenha dito que não é favorável ao chamado “bloco central”, Pacheco Pereira considerou que “não é possível fazer mudanças impopulares sem haver um acordo entre os dois" partidos.

"Não digo que seja um acordo de Governo, mas seja como for não é possível fazer aquilo que é hoje necessário e exigido sem qualquer forma de participação dos dois, pois um só não resulta”, explicou.

O antigo eurodeputado social-democrata advertiu ainda que “vamos passar um longo período e o melhor que nos podia acontecer, é que esse período fosse bem pensado, estruturado e não se abandonasse ao menor sinal de que as coisas estavam a correr bem”.

In Jornal de Negócios

O Pacheco vai mais para baixo porque esta notícia só trás comentários --» :lol:

Parece que de Abril não passamos.

Edited by Kopien

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Parei de ler mal começou:

Pacheco Pereira...

lol

B)

x2

Esse sujeito é verdadeiramente execrável :blerk:

Fartos de discursos catastrofistas estamos nós. Ele que volte lá para o MRPP e faça coro com o Razia Pereira e o Arnaldo dos Patos :bye:

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eu sei que parece estúpido mas isso da bancarrota deixa me com duvidas, se ficarmos na bancarrota já me disseram que todos ficamos sem dinheiro que temos no banco... outros dizem que não...

não percebo! alguém me explique?

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Portugal não está, nem como o Pacheco Pereira diz, nem como o Sócrates o pinta.

Neste momento acredito que um dia destes vamos acordar com o alarme a tocar em cima das nossas cabeças e só aí descobriremos que estamos atolados na merda.

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Pachecos Pereiras à parte, já não é a primeira opinião que li que de Abril não passamos sem ajuda da Europa.

@MFilipe Bancarrota é não ter dinheiro para pagar por exemplo os salários aos Funcionários Públicos. Não existe dinheiro na tesouraria.

É como tu não receberes o salário para pagar a renda de casa. A diferença é que nós precisamos de emitir dívida para pagar despesa corrente.

Isso não acontece porque a Europa compra a dívida quando existem dificuldades em arranjar o guito no mercado.

Edited by Kopien

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Toda a gente sabe que estamos atolados na merda porque aqueles que são os grandes responsaveis pelo estado em que estamos nos fazem questão de o lembrar todos os dias.

"ah e tal tamos muito mal, tamos em crise, é preciso muita austeridade" ouvimos este discurso todos os dias de senhores que governam e governaram este país nos ultimos anos, estão e estiveram à frente das confederações patronais nos ultimos anos, bancos, empresas, senhores que todos os dias dormem nas suas casas de milhões e se pavoneiam nos seus carros de milhares.

O povo esse tem que vergar a mola a trabalhar para esses senhores todos os dias, tem de pensar em formas de dar de comer aos filhos e pagar a casa, naõ tem tempo para ouvir falar de crise, não tem paciência para ouvir falar de crise.

O que o povo espera é que esses senhores se deixem de ordenados e reformas milionárias, prémios, mordomias várias desde automoveis a viagens, se deixam de fraudes, corrupção e burlas, combatam a fraude e evasão fiscal, não deixem morrer o serviço nacional de saude, a segurança social e a educação, aumentem o salario minimo para valores humanamente dignos, combatam o despesismo vergonhoso que há na administração publica, os compadrios, as cunhas, os favores...

Crise? Eles querem mesmo convencer o povo disso e estão a conseguir, qualquer dia:

- Aumentar os impostos

- Cortar nos subsidios de ferias e natal

- Cortar nos salarios

- Diminuir o salário minimo

- Liberalizar os despedimentos

E o povo abaixa a cabeça e amocha: "sim senhor, estamos em crise, temos de fazer sacrificios"

E esse senhores lá nas casinhas de milhares deles, desfrutando dos seus premios, ordenados e reformas milionarias, combinando novas formas de fraude, corrupção, compadrio e cunhas, "ah e tal olha tenho um lugar para ti no conselho de administração da minha empresa a ganhar 50 mil euros por mês queres? Já agora traz a família, há lugares para todos, o teu avô com a sua reforma de 30 mil euros tambem pode vir".

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Toda a gente sabe que estamos atolados na merda porque aqueles que são os grandes responsaveis pelo estado em que estamos nos fazem questão de o lembrar todos os dias.

"ah e tal tamos muito mal, tamos em crise, é preciso muita austeridade" ouvimos este discurso todos os dias de senhores que governam e governaram este país nos ultimos anos, estão e estiveram à frente das confederações patronais nos ultimos anos, bancos, empresas, senhores que todos os dias dormem nas suas casas de milhões e se pavoneiam nos seus carros de milhares.

O povo esse tem que vergar a mola a trabalhar para esses senhores todos os dias, tem de pensar em formas de dar de comer aos filhos e pagar a casa, naõ tem tempo para ouvir falar de crise, não tem paciência para ouvir falar de crise.

O que o povo espera é que esses senhores se deixem de ordenados e reformas milionárias, prémios, mordomias várias desde automoveis a viagens, se deixam de fraudes, corrupção e burlas, combatam a fraude e evasão fiscal, não deixem morrer o serviço nacional de saude, a segurança social e a educação, aumentem o salario minimo para valores humanamente dignos, combatam o despesismo vergonhoso que há na administração publica, os compadrios, as cunhas, os favores...

Crise? Eles querem mesmo convencer o povo disso e estão a conseguir, qualquer dia:

- Aumentar os impostos

- Cortar nos subsidios de ferias e natal

- Cortar nos salarios

- Diminuir o salário minimo

- Liberalizar os despedimentos

E o povo abaixa a cabeça e amocha: "sim senhor, estamos em crise, temos de fazer sacrificios"

E esse senhores lá nas casinhas de milhares deles, desfrutando dos seus premios, ordenados e reformas milionarias, combinando novas formas de fraude, corrupção, compadrio e cunhas, "ah e tal olha tenho um lugar para ti no conselho de administração da minha empresa a ganhar 50 mil euros por mês queres? Já agora traz a família, há lugares para todos, o teu avô com a sua reforma de 30 mil euros tambem pode vir".

Concordo com o sentimento de revolta.

Mas acredita que a este ritmo e a sermos a principal atracção dos mercados, muitos dessas medidas poderão ser infelizmente realizadas.

É mais o quando do que o como.

Edited by Kopien

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Tretas .. querem é mandar mais lenha para a fogueira.

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Portugal está a recuperar, a europa é que nos está a por obstáculos à frente para esconder a situação em Espanha, É FAVORÁVEL À EUROPA UMA CRISE PORTUGUESA.

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eu sei que parece estúpido mas isso da bancarrota deixa me com duvidas, se ficarmos na bancarrota já me disseram que todos ficamos sem dinheiro que temos no banco... outros dizem que não...

não percebo! alguém me explique?

Na verdade o dinheiro que tens no banco é "fictício". Se toda a gente resolvesse levantar a guita que lá depositou o Banco ia de pino e não conseguia pagar a todos porque usou parte do bolo total para investimentos.

Tretas .. querem é mandar mais lenha para a fogueira.

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Portugal está a recuperar, a europa é que nos está a por obstáculos à frente para esconder a situação em Espanha, É FAVORÁVEL À EUROPA UMA CRISE PORTUGUESA.

Não sei como. Neste momento a Espanha depende tanto de nós como nós deles, pois creio que somos dos maiores compradores deles. Uma crise tuga seria péssima para Espanha, e uma crise Espanhola seria o descalabro em Portugal.

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eu sei que parece estúpido mas isso da bancarrota deixa me com duvidas, se ficarmos na bancarrota já me disseram que todos ficamos sem dinheiro que temos no banco... outros dizem que não...

não percebo! alguém me explique?

Só ficas sem o dinheiro que tens no Banco, se for o próprio Banco a entrar em Bancarota.

PS: O que nos mete mesmo mal, é a constante especulação que vamos ficar piores. Essa especulação leva a que as pessoas não rodem o dinheiro, porque têm medo que as coisas vão para o torno.

Esse tal Pacheco Pereira, só veio ajudar a que as pessoas andem com medo e consequentemente guardem o dinheiro em vez de o colocarem a rodar.

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eu sei que parece estúpido mas isso da bancarrota deixa me com duvidas, se ficarmos na bancarrota já me disseram que todos ficamos sem dinheiro que temos no banco... outros dizem que não...

não percebo! alguém me explique?

Na verdade o dinheiro que tens no banco é "fictício". Se toda a gente resolvesse levantar a guita que lá depositou o Banco ia de pino e não conseguia pagar a todos porque usou parte do bolo total para investimentos.

Tretas .. querem é mandar mais lenha para a fogueira.

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Portugal está a recuperar, a europa é que nos está a por obstáculos à frente para esconder a situação em Espanha, É FAVORÁVEL À EUROPA UMA CRISE PORTUGUESA.

Não sei como. Neste momento a Espanha depende tanto de nós como nós deles, pois creio que somos dos maiores compradores deles. Uma crise tuga seria péssima para Espanha, e uma crise Espanhola seria o descalabro em Portugal.

As exportações dispararam em cerca de 50% (ligeiramente mais aliás mas não me lembro do valor concreto), isso é um sinal de recuperação.

A crise portuguesa é favorável à europa porque se os mercados e as bolsas em vez de se focarem em portugal se focarem em espanha, a ajuda monetária necessária para tirar a espanha da situação em que estão é muito muito superior à ajuda necessária a ajudar portugal, daí dar jeito que portugal esteja em crise.

Also, sobre a dívida pública:

" O BCE já detém 15% da nossa dívida pública " e então?

Os Estados Unidos tem a maior dívida pública do planeta $14.13 triliões de doláres equivalente a 96.3% do seu PIB (da qual a China detém $907 biliões de dólares) e no entanto estão em recuperação bastante acelerada.

Edited by Lancer

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eu sei que parece estúpido mas isso da bancarrota deixa me com duvidas, se ficarmos na bancarrota já me disseram que todos ficamos sem dinheiro que temos no banco... outros dizem que não...

não percebo! alguém me explique?

Só ficas sem o dinheiro que tens no Banco, se for o próprio Banco a entrar em Bancarota.

PS: O que nos mete mesmo mal, é a constante especulação que vamos ficar piores. Essa especulação leva a que as pessoas não rodem o dinheiro, porque têm medo que as coisas vão para o torno.

Esse tal Pacheco Pereira, só veio ajudar a que as pessoas andem com medo e consequentemente guardem o dinheiro em vez de o colocarem a rodar.

Isso não é uma boa justificação porque em Portugal há muito mais endividamento que poupança. E mais se vê noticias de pessoas a gastarem de forma a poupar a longo prazo do que a poupar, digo eu.

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eu sei que parece estúpido mas isso da bancarrota deixa me com duvidas, se ficarmos na bancarrota já me disseram que todos ficamos sem dinheiro que temos no banco... outros dizem que não...

não percebo! alguém me explique?

Só ficas sem o dinheiro que tens no Banco, se for o próprio Banco a entrar em Bancarota.

PS: O que nos mete mesmo mal, é a constante especulação que vamos ficar piores. Essa especulação leva a que as pessoas não rodem o dinheiro, porque têm medo que as coisas vão para o torno.

Esse tal Pacheco Pereira, só veio ajudar a que as pessoas andem com medo e consequentemente guardem o dinheiro em vez de o colocarem a rodar.

Isso não é uma boa justificação porque em Portugal há muito mais endividamento que poupança. E mais se vê noticias de pessoas a gastarem de forma a poupar a longo prazo do que a poupar, digo eu.

se as pessoas deixam de gastar o país está lixado :x

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Índice da taxa de 10 anos está acima dos 7%, há 11 sessões.

Os juros da dívida pública nacional a cinco e dez anos aumentaram, pela segunda semana consecutiva, apesar do BCE ter ido ao mercado secundário comprar títulos nacionais para ajudar a aliviar a pressão, segundo ‘traders' citados por agências internacionais.

Apesar da ida do BCE ao mercado, a taxa de rentabilidade exigida pelos investidores no mercado secundário não baixou, o que indicia uma maior percepção de risco. A ‘yield' da dívida a 10 anos cotou-se nos 7,497%, um novo recorde de fecho, segundo dados da Bloomberg. O índice da taxa a 10 anos está acima de 7%, há 11 sessões consecutivas. No início do ano, a ‘yield' era de 6,6%. Já na dívida a cinco anos, a subida da ‘yield' é mais expressiva, após o Estado ter lançado uma nova linha de Obrigações do Tesouro a 5 anos, há duas semanas. A ‘yield' subiu 43 pontos base na semana passada, terminando a sessão de sexta-feira nos 7,128%. No início do ano, a taxa nesta maturidade situava-se em 5,686%.

A incerteza em torno da resposta da UE à crise é uma das razões apontadas pelos especialistas para a escalada dos juros. "Há a perspectiva que as medidas podem revelar-se aquém das expectativas", referiu um ‘trader' citado pelo "Wall Street Journal".

In Económico

Portanto taxas a 5 anos de 7,1%.

Dívida a pagar daqui a 5 anos e não acham que vão ser precisas mais medidas até lá?

Edited by Kopien

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Fica aqui uma entrevista responsável, com bom senso e basicamente tudo o que uma entrevista sobre o tema deve ser, completamente o oposto do clima de terror que por cá anda instalado, cuja entrevista do senhor peixeiro pereira só veio piorar.

Para a antiga ministra, Portugal tem de negociar bem a adesão ao pacto de competitividade

Maria João Rodrigues: "A zona euro só será sustentável se houver convergência económica" vazio.gif?ts=1298295046,33735

21.02.2011 - 07:23 Por Teresa de Sousa, Ana Rita Faria

Como é que se consegue uma maior convergência económica e social na zona euro, quando os países mais frágeis se vêem sujeitos a uma austeridade financeira que pode matar o crescimento?

É este o dilema português, no contexto de uma vasta renegociação das próprias regras da união monetária, imposta pela Alemanha. Foi este o ponto de partida desta entrevista. Maria João Rodrigues, antiga ministra de António Guterres e actual conselheira económica das instituições europeias, alerta para aquilo que Portugal tem de garantir à mesa da negociação europeia, mas também reconhece que ainda não fizemos o trabalho de casa.

Disse numa conferência em Lisboa que o relatório anual de crescimento da Comissão Europeia (CE), ponto de partida para o "semestre europeu", foca-se na austeridade, ignorando o crescimento. Há, aqui, um problema para Portugal, que tem de apresentar o seu Programa Nacional de Reformas de acordo com a estratégia 2020?

Há, sem dúvida. Este relatório anual de crescimento surpreendeu-me pela negativa. Foi possível preparar uma estratégia europeia para os próximos dez anos [a estratégia 2020] com uma certa ambição, porque apontava para um crescimento mais inteligente, mais verde e mais inclusivo, que é aquele que permite dotar a Europa de uma nova vantagem competitiva. Mas, a meu ver, este relatório tem prioridades que não são consistentes com a estratégia previamente definida.

Porquê?

Primeiro, porque praticamente se esquece desse objectivo geral de promoção de um crescimento mais verde, inteligente e inclusivo. Segundo, a política económica que é preconizada está quase exclusivamente centrada na consolidação orçamental e muito pouco preocupada com o crescimento. Terceiro, a questão que deveria ser a chave da recuperação económica - a promoção de emprego - deve ser resolvida, de acordo com o relatório, levando as pessoas a procurar emprego mais activamente. Como é que isso é possível se há falta de empregos disponíveis? Numa situação como a actual, temos sobretudo de activar a oferta de trabalho por parte das empresas e, sobre isso, nada de relevo é proposto. É uma má forma de estrear uma estratégia europeia para o crescimento e o emprego, que não vai conseguir concitar o apoio dos cidadãos europeus.

Como explica essa contradição entre o relatório anual da CE e a estratégia 2020?

Pelo contexto político muito especial em que a CE teve de lançar o relatório. No auge da crise da dívida soberana, a zona euro dotou-se de um mecanismo de estabilização financeira que se revelou insuficiente para o tipo de pressões a que estamos submetidos e que é fundamental reforçar. Estamos no meio de uma macronegociação que se pode resumir assim: para aceitar o reforço desse mecanismo, a Alemanha requer um maior compromisso dos países do euro com a disciplina orçamental e com o aumento da competitividade segundo um padrão muito alinhado pelo próprio modelo alemão. Ora, a estratégia 2020 só é credível se estiver apoiada em instrumentos que permitem a todos os Estados-membros aplicá-la. No quadro actual, há países que estão em condições de o fazer e outros que não. Por isso, a grande questão que temos de colocar é: quais são as prioridades que podem garantir que a zona euro seja sustentável a longo prazo? São a disciplina orçamental e o reforço da competitividade, mas também o crescimento e o apoio activo à convergência. Temos de ter convergência na zona euro não só no que respeita às metas do défice e da dívida, mas também no que respeita à capacidade de crescimento das nossas economias e aos padrões sociais e ambientais.

Em que medida uma utilização diferente, mais flexível, do fundo de estabilização europeu pode contribuir para isso?

Essa é outra peça fundamental da reforma económica da zona euro. Esse fundo tem de ser melhorado numa série de aspectos. O primeiro é garantir uma taxa de juro mais razoável que permita a cada país reduzir a dívida e o défice, mas também o relançamento económico. Actualmente, as taxas de juro praticadas por esse fundo são excessivamente elevadas. O segundo problema é que, tal como está, o fundo só fornece empréstimos e é fundamental que seja flexibilizado no sentido de poder abrir linhas de crédito ou de poder comprar títulos de dívida pública, substituindo o BCE nessa função. O terceiro problema é que o fundo só se centra no reequilíbrio orçamental e não atende à necessidade de crescimento.

A Alemanha colocou em cima da mesa as suas condições para negociar essa flexibilização sob a forma de um "pacto para a competitividade". O que quer a Alemanha com este pacto?

Este pacto vai para além das reformas de governação económica que já estão em curso [ao nível dos 27], pois visa estabelecer um novo contrato dentro da zona euro: é garantido aos países do euro um mecanismo de solidariedade em matéria de dívida soberana que podem usar se estiverem em situação de dificuldade; em contrapartida, é-lhes exigida uma convergência das suas políticas económicas e sociais.

Temos de perceber a exigência alemã. Se a Alemanha tem de fazer um esforço para apoiar financeiramente a Grécia, é lógico que lhe peça um esforço adicional de saneamento das contas públicas, mas também de aproximação entre a idade da reforma dos dois países. Do mesmo modo, se a Alemanha tem de apoiar a Irlanda, é legítimo que lhe peça um esforço de convergência quanto aos impostos sobre as empresas.Estamos perante uma oportunidade histórica e, mesmo que não venhamos a recorrer ao fundo, temos de ter um papel activo no desenho do que vai ser esse pilar de união económica.

O que é que Portugal deve garantir nessa negociação?

Primeiro, temos de conseguir que o fundo de estabilização evolua no sentido que referi. Quanto à coordenação das políticas, pretendida pela Alemanha, estamos relativamente à vontade em alguns aspectos. Fizemos uma reforma importante do sistema de pensões que alinha a idade real da reforma por um nível até um pouco superior ao alemão. Estamos alinhados com a média europeia no que respeita aos impostos sobre as empresas. O problema fundamental da proposta alemã tem a ver com o que é pedido em matéria de disciplina orçamental e competitividade. Em primeiro lugar, temos de preservar uma margem para investir.

Mesmo que isso ponha em causa as metas do défice?

Temos de definir metas do défice e da dívida que incorporem essa necessidade de investimento. Os países que conseguirem redireccionar a sua despesa pública para investimento estratégico deveriam ter mais tempo para reduzir o défice e a dívida. Essa era a reforma que devíamos pedir. Outro ponto importante tem a ver com o travão da dívida, que a Alemanha quer que figure na Constituição. Cada país deve garantir que a sua dívida é sustentável a longo prazo mas colocar um limite na Constituição pode impedir que, numa situação excepcional, se possa aumentar a dívida, como aconteceu durante a crise financeira. Mas a área mais problemática da proposta alemã é a da competitividade. A Alemanha sugere que os países passem a ser monitorados através de um indicador chamado "custos unitários de produção", tendo implícita a ideia de que a melhor forma de um país ser mais competitivo é reduzir os salários e as contribuições sociais. A via que temos de seguir é aumentar a produtividade criando mais produtos e serviços de valor acrescentado.

Mas é possível conciliar a necessidade de aumento rápido da competitividade com ganhos de produtividade que exigem mais tempo?

Há, de facto, quem argumente que, se queremos um aumento da competitividade no curto prazo, temos de baixar os salários. O que precisamos é de uma boa combinação entre moderação salarial e uma forma mais inteligente de aumentar a produtividade. E aí temos de reconhecer que Portugal não tem feito tudo o que devia. Há medidas que podem ser tomadas com impacto directo nos custos das empresas. O exemplo mais óbvio é a energia, cujos preços têm de ser reduzidos.

Como é que se consegue isso num mercado que acaba por ser monopolizado?

Só abrindo esses sectores à concorrência. Mas o ponto-chave para que Portugal dê um salto de competitividade está numa identificação mais estratégica de áreas nas quais possamos ter capacidade para competir a nível global. Precisamos de passar do mero apoio às empresas inovadoras para uma política global de inovação, capaz de alterar o nosso padrão de especialização. Isso exige uma política industrial, não tenho medo desta palavra.

Em que actividades Portugal poderia ter capacidade competitiva global?

Um sector evidente é o cluster da saúde, em ligação com lazer. É lamentável e inaceitável o travão que tem sido imposto à formação de médicos. Outros exemplos são as energias renováveis; tudo o que roda à volta da fileira florestal; ver o que vale a pena fazer em relação ao mar; as indústrias criativas, que são hoje o sector com maior crescimento na Europa e podem irradiar capacidade e competitividade para muitos sectores. Há exemplos na Europa que provam que isso é possível num espaço de tempo de cinco ou seis anos. Aconteceu na Finlândia e na Suécia, que passaram por crises gravíssimas nos anos 80 e 90 e ultrapassaram-nas através de uma política industrial que conseguiu alterar o perfil de especialização das suas economias.

O pacto de competitividade será discutido na cimeira da zona euro a 11 de Março. A Alemanha pôs as suas condições...

Não tenho nenhuma posição de antagonismo em relação à Alemanha. Pelo contrário, é uma economia com muitos pontos fortes, com os quais se pode aprender. Temos de evitar esse antigermanismo primário que já começa a manifestar-se, mas a Alemanha também tem de ter cuidado com ele, porque, a certa altura, temos uma parte da população europeia contra ela e contra a Europa, no seu conjunto.

Justamente, quando se fala de desequilíbrios macroeconómicos, esta negociação também deve levar em conta que a Alemanha tem uma balança externa superavitária?

O pacto, tal como está a ser proposto pela Alemanha, pode gerar uma dinâmica de desequilíbrios cumulativos na Europa. Se se continuar a insistir que só temos de convergir em matéria de défice, dívida e custos unitários de produção, vamos ter uma Europa com países a crescerem três por cento e outros em recessão. Isso é mau para os países em recessão, para a Europa como um todo e, certamente, para a Alemanha.

Do mesmo modo que se pede um esforço aos países que têm um défice externo, tem de se pedir aos que têm um superavit que expandam a sua procura, de modo a absorver a oferta daqueles países. Não faz sentido pedir à Alemanha que seja menos competitiva. Mas faz sentido pedir-lhe que consuma mais e aumente mais os salários.

No pacto, a Alemanha propõe ainda o reconhecimento das qualificações para promover a mobilidade. Estou a favor desse ponto, mas é preciso reconhecer que ele tem um risco. Tal como está desenhado, este pacto vai induzir riscos de recessão e desemprego em alguns países. Ora, esse reconhecimento das qualificações visa criar a possibilidade de os desempregados portugueses irem para onde há oferta de emprego. Levado ao extremo, isso pode traduzir-se num brain drain (fuga de cérebros) de regiões em recessão em direcção à Alemanha.

Além de mão-de-obra, o que é que a Alemanha tem a ganhar com este pacto?

A preocupação da Alemanha é preparar-se para a competição global e, para isso, tem de estar apoiada numa grande área de integração regional com a qual pode contar para fornecer um vasto mercado doméstico, recursos humanos e fornecimento às suas empresas. Esta é a lógica alemã. É uma lógica de construção europeia distorcida, que não dá oportunidade de crescimento a todos.

Portugal tem de ter uma estratégia para a negociação deste pacto. Como é que estes desafios estão a ser assumidos internamente?

Há um défice evidente de debate nacional sobre o que se passa a nível europeu. Grande parte dos actores não está informada das reformas profundíssimas que estão a ocorrer e de como vão condicionar, daqui para a frente, o que podemos fazer a nível nacional. Mas também temos de fazer o nosso trabalho de casa, mudando de vida numa série de aspectos - em termos de capacidade profissional, empresarial e de poupança. Só isso nos dará legitimidade para discutir as novas regras europeias. Está na altura de ter um discurso de verdade perante a população portuguesa. As pessoas têm bom senso de tomar as opções certas numa circunstância tão difícil.

Está optimista quanto a esta negociação?

Vamos passar por um período muito difícil. Criou-se uma lógica de negociação em que tudo depende de tudo. Ninguém pode ter a certeza de que vamos conseguir chegar a um acordo, quanto mais a um acordo aceitável. Estamos a caminhar em terreno desconhecido. Seria um grande salto para a zona euro, porque é a passagem para uma união económica, mas há uma série de escolhos no caminho.

In Publico

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WSJ: “Resgate de Portugal não vai passar de Março ou Abril”

O WSJ escreve, citando fonte europeia, que o sentimento dominante em Bruxelas é o de que Portugal vai em breve pedir ajuda externa.

Depois de a agência Reuters ter avançado sexta-feira, citando fontes europeias, que Bruxelas espera um pedido de ajuda por parte de Portugal até Abril, hoje é a vez do ‘The Wall Street Journal' (WSJ) avançar com o mesmo "calendário".

Citando um oficial sénior de um governo da zona euro, o WSJ descreve que o sentimento dominante em Bruxelas é o de que Portugal vai em breve seguir os passos da Grécia e Irlanda no pedido de ajuda internacional.

"O ‘feeling' é que [o resgate] não vai passar de Março ou de Abril, em última instância, e que [Portugal] já está sob pressão de países como a Alemanha para que peça ajuda, no sentido de clarificar a situação da zona euro", disse essa fonte ao WSJ, adiantando ainda que, nesta altura, já há responsáveis portugueses a admitir a hipótese de um pedido de ajuda internacional.

No mesmo sentido, outra fonte sublinhou ao jornal que a maioria dos responsáveis da UE tem o pedido de resgate como um dado praticamente certo e que será apenas uma questão de tempo até ser oficializado.

O jornal escreve mesmo que vários oficiais europeus estão a preparar-se para um eventual pedido de ajuda português já no próximo mês, altura em que o País tem de refinanciar elevados montantes de dívida.

Responsáveis de Bruxelas disseram ainda ao WSJ que o dossier "Portugal" poderá ser discutido na cimeira extraordinária agendada para o próximo dia 11 de Março.

A notícia aparece um dia depois de ter sido divulgada a primeira execução orçamental de 2011, que mostrou um emagrecimento do défice do Estado português.

Oficialmente, o governo português continua a descartar um pedido de ajuda internacional. Ainda hoje Teixeira dos Santos afastou esse cenário, sublinhando que Portugal já conseguiu dois terços da verba total para os reembolsos da dívida que vence em Abril e Junho.

Certo é que os mercados não dão tréguas a Portugal, com os juros dos títulos da dívida pública a 5 e a 10 anos a manterem-se acima de 7%.

Como disse várias notícias apontam Março ou Abril. Esta é só mais uma.

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Só é pena que Bruxelas esteja a fazer de nós bode espiatorio para mascarar a situação Espanhola. Como Espanha tem uma economia bem maior que a nossa, o problema deles era mais grave para a própria União Europeia.

Mesmo assim, ainda estou confiante que não vamos pedir ajuda externa.

E quem quer que o FMI entre por cá dentro... se isso acontecer preparem-se para sofrer, porque eles aplicam medidas muito mais severas do que aquelas que o nosso governo aplica, e além disso ainda roubam o pais.

Porque é que acham que o Lula da Silva, a primeira coisa que fez foi expulsar o FMI do Brasil?

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Só é pena que Bruxelas esteja a fazer de nós bode espiatorio para mascarar a situação Espanhola. Como Espanha tem uma economia bem maior que a nossa, o problema deles era mais grave para a própria União Europeia.

Mesmo assim, ainda estou confiante que não vamos pedir ajuda externa.

E quem quer que o FMI entre por cá dentro... se isso acontecer preparem-se para sofrer, porque eles aplicam medidas muito mais severas do que aquelas que o nosso governo aplica, e além disso ainda roubam o pais.

Porque é que acham que o Lula da Silva, a primeira coisa que fez foi expulsar o FMI do Brasil?

Alguma coisa tem de se fazer. Achas que o País consegue aguentar taxas de 7% a 5 anos?

Continua-se a atirar as culpas lá para fora quando mais de metade da culpa é nossa. É verdade que o mercado aproveita para ganhar guito mas nós é que fizemos a nossa própria cama.

Neste momento não há situação ideal, recorrer ou não recorrer ao FMI, lixa-se o povinho na mesma.

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